quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O sertanejo


A terra sulcada de seca.
Capa amarelada, o rosto de Zé Amaro sulcado de sol, a faca na bainha, sem reluzir. Nem uma casa em vista; calangos largados à beira das estradas ausentes.
Tu olha pra cima e só vê o sol, olha pra baixo e só sente o sol, olha em frente e vê um anjo; um anjo empunhando uma espada de fogo, no meio das veias...
Zé Amaro abriu um sorriso, com ainda menos branco à medida que o sol ia invadindo.
O anjo estático, a lâmina trêmula, e o homem vinha vindo...
- Ô Enoque! Viu lá o meu jabá?- Zé inquiriu na direção do anjo.
Zé Amaro não chegava nunca.
O anjo escancara as asas, apaga o fogo, levanta voo e se extingue no céu; o sol fica.

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