segunda-feira, 4 de novembro de 2013

No Athanor (capítulo de "A Roda-Labirinto")




Londres, outubro de 2178

A cidade estava nublada, abafada e escura como era típico dela nos meses de verão, embora não chovesse naquele final de tarde. Três amigos se encaminhavam para o famoso pub The Eagle, em City Road, um dos locais onde havia menos arranha-céus negros, menos poluição visual e menos desabrigados caídos pela calçada.
- Rub-a-dub-dud...Rub-a-dub-dub...Rub-a-dub-dub...- Um bêbado solitário cantarolava.
- Up and down the City Road, in and out The Eagle. That's the way the money goes. Pop! Goes the weasel…- Um dos visitantes ensaiou uma cançãozinha tradicional.
Na placa de madeira do pub havia uma águia de madeira segurando um bebê embalado. E o branco e o marrom predominavam do lado de fora. Dentro, janelas de vidro esfumaçado. E muita cerveja sendo servida. A quente em desuso devido ao clima. Alguns jogavam bilhar, outros pôquer; outros mais sinuca. Não havia mulheres, mas aqueles homens se divertiam à sua maneira. Os três se sentaram para conversar e pediram suas cervejas geladas.
- Há quantos anos que não faz um bom frio na Inglaterra, hein?- Indagou John Mole, um irlandês ruivo, alto e grande, massudo, que começava a ter os primeiros cabelos brancos.
- Você queria o quê? Com as geleiras todas derretendo ainda temos sorte da nossa querida ilha não ter sido engolida pelo mar.- Disse Ash Dastin, um estudante prodígio de Oxford, queridinho de todos os professores de geologia, que aos vinte e três anos já terminara seu pós-doutorado. Contudo, não se encaixava em nenhum estereótipo de estudante caxias: gostava de andar com uma bandana branca e vermelha na cabeça, usava barba sem bigode, clareava os cabelos castanhos compridos e tratava-se de um esportista, um dos melhores nadadores da Grã-Bretanha.
O terceiro sentado à mesa, o mais quieto embora não mostrasse nenhuma vergonha, nenhum sinal de timidez, apenas parecia observar muito e falar pouco: um loiro de cabelos curtos e lisos, magro e de olhos azuis, por volta dos trinta anos, chamado Epicure Malekh. Enquanto todos os outros vestiam camisas polo, camisetas e calças jeans ou de malha leve, roupas coloridas, ele estava de paletó, calça social e sapatos negros.
- Você não sente calor não, Epicure?- Inquiriu John.
- Eu estou bem, John. Não se preocupe. Acabei de sair do banco antes de me encontrar com vocês e não tive tempo de trocar a roupa, mas tudo bem.- Epicure era um judeu norte-americano, filho de Adolf Malekh, o bilionário proprietário do Banco Gold Wolf, o que lhe garantia estabilidade social e riqueza mesmo naquele terrível período de recessão pós-invasão extraterrestre. Trabalhava como gerente geral das filiais em Londres. Porém os investimentos da família não se limitavam ao banco, já que a exploração de marfim e madeira na África era outro ponto forte das empresas.
Em comum, os três tinham muito interesse em alquimia. John e Epicure eram os estudantes mais assíduos, enquanto Ash era mais um curioso. Os dois primeiros haviam sido colegas nos últimos anos de escola e logo sentido empatia um pelo outro, como não ingleses estudando em Londres, e a amizade permanecera, ao passo que John conhecera Ash em Oxford e posteriormente o apresentara ao velho amigo.
A conversa voou; e dos três Epicure era o que menos bebia. Quase nada.
- Os alquimistas nunca disseram que a Pedra Filosofal fazia milagres. Ela seria capaz de curar a lepra de todos os reinos, o mineral, o vegetal, o animal e o humano. Mas isso é bem plausível, nada tem de sobrenatural na medida em que as causas da maior parte das doenças nos homens e nos animais, o desequilíbrio ácido-base e a presença de radicais livres, é a mesma para as doenças no mundo vegetal, o desequilíbrio ácido-base no solo e a presença nele de radicais livres, que pode ser compensada por adubos químicos à base de cloretos, que funcionam como substâncias tampão. E isso também é válido no reino mineral, pois é o desequilíbrio ácido-base que dissolve as rochas e os minerais; o anidrido carbônico das chuvas desmembra as moléculas dos minerais pelo fenômeno do intemperismo...Toca-se assim a raiz de todo o problema e a causa geral da imperfeição da matéria. Li uma vez que a juventude pode ser renovada a cada 50 anos e o processo de regeneração é bem doloroso. Caem os dentes, os cabelos, é preciso fazer um jejum de 40 dias, tirar parte do sangue, e são três doses da primeira matéria até que o processo chegue ao final. Os cabelos brancos vão embora, nasce uma nova dentição, tudo novinho em folha, e quem é velho volta à flor da juventude. Se esse procedimento for repetido a cada 50 anos, realmente se pode esperar uma vida de duração indefinida. A ciência reconhece que o envelhecimento vem de alguma espécie de problema na duplicação do DNA, produzindo réplicas defeituosas. Se não fosse por isso, talvez fôssemos imortais na matéria. Ou pelo menos pudéssemos ter uma vida muito longa, como a dos patriarcas bíblicos.- Disse John, sem limpar a espuma de cerveja da boca.
- Uma coisa que fica clara nos textos de e sobre alquimia é o fato que o ouro obtido na transmutação é ouro sem sombra de dúvidas, mas muito mais puro do que o ouro comum. Se a transmutação não se limita à matéria no cadinho, mas se estende ao alquimista, este último se tornará um ser humano novo e verá sua vida se prolongar indefinidamente...- Complementou Epicure, sempre impecável na maneira de se portar à mesa, com sua voz plácida e elegante, que tinha um sotaque mais britânico do que norte-americano.
- A mais sólida teoria atual sobre o envelhecimento considera-o como uma espécie de “ruído” que prejudica o processo de reparo natural do DNA, produzindo copias com pequenos defeitos, mutações danificadas. Seria como fazer cópias sucessivas de uma mesma gravação magnética. No final, a gravação sai distorcida.- John lambeu a espuma.
- Talvez a Pedra Filosofal seja uma substância que, quando ingerida como elixir, penetra no citoplasma da célula, cria um meio perfeito de comunicação e diminui essa entropia, permitindo que o DNA se replique sem imperfeições. O efeito “panaceia” seria o corolário desse processo antientrópico.
- De um certo ponto de vista a panaceia é uma impossibilidade natural. Mesmo porque o conceito de doença é algo muito amplo, que não se restringe à química do corpo físico, abrangendo o karma, o corpo emocional e o mental. A Pedra não curaria diretamente as doenças. O seu único efeito seria restaurar a integridade genética das células. A cura se daria porque o sistema renovado recuperaria a mesma eficiência de quando o indivíduo era jovem e as doenças microbianas e/ou degenerativas seriam eliminadas por tabela. Claro que poderia morrer da mesma maneira! Mas a probabilidade seria muito menor.
- Voltando a falar do “ruído” que você citou: na minha visão seria um desgaste que se tornou natural no DNA. Na verdade o responsável é o telômero, que é como se fosse uma ponta de cadarço no fim da cadeia de DNA. À medida que ele encurta, nós envelhecemos. Quer dizer que as células continuam a se desenvolver, mas com defeitos. Por incrível que pareça, nada em nosso corpo tem mais de um ano de vida. O que não se sabe é o que faz o telômero encurtar. Pelo menos não se chegou a um consenso ou não se quer admitir. Um cientista russo descobriu que por todo o nosso planeta existe uma radiação residual conhecida como potássio K40, que causaria o tal encurtamento. Interessante dizer que ele isolou da radiação, em laboratório, algumas culturas de células; e estas tiveram seu tempo de vida extremamente ampliado. Calculou que se fosse o ser humano, teríamos uma vida de uns 1200 anos. Isso nos faz pensar: será que a Pedra Filosofal só regenera o telômero ou nos deixa imunes a essa radiação?
- Tanto se fala de transformar chumbo em ouro! Todos sabem sobre a capacidade de isolamento do chumbo contra radiações.
- É provável que a Pedra tenha algumas propriedades do chumbo.
- Me desculpem interromper uma discussão de tão alto nível, e tão interessante...- Interferiu Ash, com sua voz meio rouca.- Mas é uma dúvida. Uma vez ouvi falar de alquimia sexual, preservação do sêmen. Qual a verdadeira relação disso com a alquimia? Também está relacionada à superlongevidade?
- Isso tem mais a ver com o Tao chinês ou com a psicologia junguiana. Pelo menos eu e o Epicure estamos mais interessados no aspecto se não prático ao menos especulativo-experimental da Arte e da Grande Obra. Eu pessoalmente acho uma besteira misturar o tantra e a alquimia. Os dois são caminhos maravilhosos, conduzem quiçá aos mesmos resultados e podem ser complementares, porém são distintos. Aplicar técnicas de yoga nos termos herméticos não nos leva a uma nova definição da alquimia, apenas confunde as coisas. A alquimia pode ser interna, e isso está incluído na alquimia ocidental, embora de forma menos direta do que no yoga. Basílio Valentim sempre salientou que o verdadeiro químico deve ser acima de tudo um monge. Mas não faz sentido usar a linguagem hermética para descrever o tantra; é algo desnecessário.- Esclareceu John.
- Jung foi um dos mais incompetentes pensadores que já existiram. Deve ter lido por curiosidade as obras alquímicas do período medieval e ficado espantado com as alegorias sobre serpentes, leões coloridos, fogo, quimeras, e daí deduziu que os alquimistas se limitavam a simbologias nebulosas para “descrever” o inconsciente coletivo. Eu não acredito em alquimia sexual. Sexo na minha opinião é reprodução; e mais nada.- Enfatizou Epicure.- Pouco se fala nos méritos práticos dos alquimistas, que não são poucos; perde-se muito tempo com besteirois como esse e, perdoem-me a palavra, mas realmente soa adequada à discussão, masturbação intelectual. A contribuição real deles para a ciência é incalculável: a maioria dos recipientes e da vidraria de laboratório usada pelos químicos, inclusive alambiques, retortas, tubos de ensaio, e outras coisas mais, foi desenvolvida pelos alquimistas. A maior parte dos ácidos e elementos químicos hoje conhecidos foi descoberta por eles. Basílio Valentim, por exemplo, descobriu o ácido clorídrico e o antimônio. Acho que o legado desses grandes cientistas deveria ser avaliado com mais cuidado e justiça. Até com relação ao uso da energia nuclear na alquimia medieval, tenho comigo um texto de Roger Bacon em latim, no qual ele descreve o famoso forno Athanor, que era utilizado pelos alquimistas.- Tirou um pequeno livro de capa verde de um dos bolsos do seu paletó.- A descrição feita bate com a de um reator nuclear: um recipiente redondo fechado hermeticamente, dentro de outro recipiente (fechado hermeticamente, tal como o anterior), e este último, com o anterior nele, dentro de um forno. A única diferença é que os alquimistas trabalhavam com temperaturas muito baixas. Ou pelo menos é isso que supomos. E também entrava o fator tempo. A intenção era a de reproduzir as condições dentro de uma mina, onde se formam os minerais na natureza. Hoje se sabe que as minas nas quais se formam os minerais no interior da terra são verdadeiros reatores nucleares, nos quais os materiais minerais ficam confinados, como que num fechamento hermético, dentro de um determinado gradiente geotérmico. Basta estudar o fenômeno do metamorfismo geológico em suas nuances mais complexas. A maneira como os vasos eram fechados era um segredo, o que por sinal gerou o termo hermeticamente fechado, afinal se atribui esse conhecimento a Hermes. Tratava-se, sucintamente, do fechamento a vácuo dos reatores nucleares. Vejam o que diz Bacon...- Parou de sacudir o livrinho agitadamente à sua frente e começou a ler:- “Como se pode observar nos filões das minas, o enxofre nascido das partes untuosas da terra encontra o mercúrio. Então tem lugar a coagulação da água metálica. Como o calor continua atuando na montanha, os diferentes metais aparecem depois de um tempo muito longo. Nas minas observa-se uma temperatura constante; dela podemos deduzir que a montanha que encerra minas está perfeitamente fechada com rochas por todos os lados, porque não nasceriam jamais os metais se o calor pudesse escapar. Portanto, se queremos imitar a natureza, é absolutamente imperioso que tenhamos um forno semelhante a uma mina, não pelo tamanho, senão por uma particular disposição, de modo que o fogo colocado no fundo não ache saída para escapar quando suba, de sorte que o calor seja reverberado sobre o recipiente, cuidadosamente fechado, que encerra a matéria da pedra. O recipiente deve ser redondo, com um pequeno gargalo. Há de ser de vidro ou de uma terra tão resistente quanto o vidro. Se lhe encerrará hermeticamente com uma tampa de asfalto. Nas minas, o fogo não está em imediato contato com a matéria do enxofre e do mercúrio; esta se encontra separada pela terra da montanha. De igual modo, o fogo não deve ser aplicado diretamente ao recipiente que contém a matéria, mas se deve colocar dito vaso em outra vasilha fechada com extremo cuidado, de tal modo que um calor igual atue sobre a matéria, por cima, por baixo e em todos os lugares em que seja necessário. Por isso Aristóteles disse na Luz das luzes que o Mercúrio deve ser cozido em um tríplice recipiente de vidro mui duro, ou, o que é melhor ainda, de terra que possua a dureza do vidro”.
- Com isso podemos concluir que talvez os alquimistas quisessem produzir artificialmente, imitando a natureza na maneira como ela forma os minerais e os metais, algum tipo de modificação molecular na matéria que ocorre nos fenômenos de metamorfismo geológico, nos quais os sedimentos químicos geológicos são alterados molecularmente quando submetidos ao isolamento térmico contido no interior das minas, mais o fator tempo.- Opinou Ash.
- Mas uma coisa que tem que ficar clara é que o que eles chamam de mercúrio não é o mercúrio da tabela periódica, e o enxofre também não é o enxofre da tabela periódica, mas são o mercúrio filosófico e o enxofre filosófico.- Explicou John.- Há uma tríade na alquimia: o enxofre, o mercúrio e o sal; da união do enxofre filosófico com o mercúrio filosófico surge o sal filosófico. Há vários tipos de mercúrios, assim como vários tipos de enxofres, e vários sais. Isso lembra a tríade da química moderna: o ácido, a base e o sal; da união de um ácido com uma base surge o sal. Os minerais, segundo os alquimistas, se formam da união do enxofre com o mercúrio. De fato, se o paralelo é verdadeiro, a moderna ciência nos informa que os minerais são, na quase totalidade dos casos, a união de uma base com um ácido, porque os minerais nada mais são do que tipos de sais. A calcita, por exemplo, é formada por carbonato de cálcio, em que o cálcio é a base e o carbonato o ácido.
- Achei interessante a comparação.- Comentou Epicure.- Mas sempre que ouço ou leio a palavra Athanor me vêm à cabeça os perigos da masturbação mental. Já ouvi gente querendo saber se Jung havia visto nas chaminés um elemento fálico.
- Nem me fale nessas coisas!
Às nove da noite, dirigiram-se às suas respectivas casas.
John foi pela rua à esquerda e no caminho chutou distraidamente uma pedra que foi cair no pé direito de um homem todo coberto por lençóis brancos; pensou que devia ser um mendigo. Não havia mais ninguém na rua. Contudo, após passar sem comprometimentos pelo indivíduo, notou um intenso clarão às suas costas.
Ao se voltar para trás, viu as cobertas no chão e um velho de barba branca segurando uma grande pedra de ouro na palma da mão direita.
- Ficou surpreso com tão pouco?- Indagou o desconhecido, com os dentes tão claros quanto sua pele e seus cabelos.
- Quem é você?- Pasmo, John não sabia se temer ou comemorar.
- O meu nome não importa. Importante é o que você pode fazer com isto.- De repente, a pele enrugada ficou lisa, a barba caiu, os cabelos brancos escassos tornaram-se loiros e cacheados, o corpo se enrijeceu e todo o cenário em volta se modificou. Foram automaticamente transportados para o apartamento de John. E agora este jovem de aparência angelical, trajado com uma túnica branca repleta de símbolos geométricos em dourado, estendia para ele um cálice de ouro puro cravejado com pedras preciosas, que continha um líquido luminoso.
- O que é isso?- A perplexidade era tanta que decidiu que nem valia a pena cultivá-la.
- É uma parte da Pedra Filosofal. Foi dada a você, por méritos acumulados, a oportunidade de auxiliar os seus irmãos com ela.
- Que tipo de méritos?
- Boas ações nesta e em outras vidas e, acima de tudo, um coração puro. Mas mantenha em mente, embora eu esteja certo que o orgulho não lhe subirá à cabeça porque não é um tipo orgulhoso, que a Pedra deve ser utilizada apenas para o bem do seu próximo, nunca por propósitos egoístas. E não deve revelar a ninguém que a adquiriu, nem aos seus amigos.
- Tantos anos buscando, estudando...E a Pedra me chega assim?
- Tenha em mente que Deus escuta todos os seus pedidos, mas ele não precisa deles para saber o que é melhor para você. Ao não criar expectativas, o que é justo e necessário simplesmente se realiza. A humanidade está passando por um período de dor e privações. Não costumamos ajudar diretamente quem se encontra preso na ilusão labiríntica da roda do mundo porque acreditamos que cada um precisa encontrar sua Pedra por conta própria, a que mora no interior de cada um, e mais importante do que prolongar a vida é saber aproveitar tudo o que ela proporciona nos momentos certos. Afora que alguns que divulgaram seus conhecimentos e descobertas foram perseguidos pelos dogmáticos e tiveram tristes fins. Outros se perderam na fascinação dos “milagres”. Afora que os sábios sabem que certas coisas não podem ser reveladas sem que antes haja uma compreensão efetiva das coisas. Um alquimista não é um soprador. Contudo, o estado atual do planeta requer algumas medidas de emergência.
- Por quanto tempo esse pedaço de Pedra irá durar?
- O líquido irá se renovar a cada vinte e quatro horas durante cem anos. E através dele você poderá curar doenças e, ao ingeri-lo, começará a enxergar o mundo espiritual à sua volta e a receber suas lições.
- Eu não sei como agradecer! E...A minha mente racional ainda está em debate.
- Desfaça-se das batalhas mentais. Você está em casa, não está? Agora vá se deitar, meu amigo, e amanhã tome a decisão que julgar acertada.
John ia dizer alguma coisa. Mas de súbito o alquimista desapareceu, deixando o cálice nas suas mãos e as janelas do apartamento escancaradas para o luar. “Eu vou ajudar as pessoas pobres...”, pensou, sentado na cama. “Isso é incrível! É tudo o que sempre sonhei. Teoricamente não deveria contar nada ao Ash e ao Epicure...Mas não sei se vou resistir. Imagina a cara deles quando souberem! Será que tomo um gole agora?”, olhou bem para o líquido dourado. E, na profundidade, enxergou o próprio planeta Terra, tomado por uma onda de luz ao mesmo tempo que nuvens de tempestade agitavam os céus. “Melhor não. Amanhã decido direito o que faço. Afinal, pelo menos cem anos pela frente tenho!”, e apoiou o objeto na mesa da sala, fechou as janelas e se deitou. Sentindo-se nas nuvens. “Só espero ao acordar amanhã não descobrir que tudo isso foi um sonho. Não...Não pode ter sido!”, e adormeceu serenamente.


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